segunda-feira, 28 de abril de 2014

Joaquim Barbosa é contra as cotas #sqn

Está rolando a seguinte imagem pelas redes sociais:


Acontece que essa frase não é de Joaquim Barbosa: ela é um resumo do que o Reinaldo Azevedo disse em um post no seu blog:
No serviço público, no entanto, há de se selecionarem os melhores, independentemente de sua cor, porque eles estarão oferendo sua sabedoria — não se trata de uma fase de formação — ao conjunto dos brasileiros. Qualquer outro critério que não seja a escolha do mais competente é um absurdo em si.

Joaquim Barbosa, na verdade, não só é a favor das cotas raciais, como votou a favor delas na ação do STF. E no seu voto, disse o seguinte:
"Acho que a discriminação, como componente indissociável do relacionamento entre os seres humanos, reveste-se de uma roupagem competitiva. O que está em jogo aqui é, em certa medida, competição: é o espectro competitivo que germina em todas as sociedades. Quanto mais intensa a discriminação e mais poderosos os mecanismos inerciais que impedem o seu combate, mais ampla se mostra a clivagem entre o discriminador e o discriminado", afirmou. 
Para o ministro, daí resulta, inevitavelmente, que aos esforços de uns em prol da concretização da igualdade se contraponham os interesses de outros na manutenção do status quo. "É natural, portanto, que as ações afirmativas – mecanismo jurídico concebido com vistas a quebrar essa dinâmica perversa –, sofram o influxo dessas forças contrapostas e atraiam considerável resistência, sobretudo, é claro, da parte daqueles que historicamente se beneficiam ou se beneficiaram da discriminação de que são vítimas os grupos minoritários", enfatizou.

Atualização 28-Abril-2013 13:20: Um amigo ressaltou que o voto de Joaquim Barbosa foi em favor das cotas em universidades públicas e não no serviço público especificamente. Achei esse artigo no site da unb e no último parágrafo, temos o seguinte:
Sobre a questão das cotas raciais, Barbosa lembrou que se dedicou ao assunto em pesquisa realizada nos Estados Unidos, que resultou no livro Ação Afirmativa & Princípio Constitucional da Igualdade. O Direito como Instrumento de Transformação Social. A Experiência dos EUA, lançado em 2001. "Jamais imaginei que passados 12 anos, isso viria a decidir o destino de um número considerável de alunos", disse. "Tive a experiência maravilhosa de participar do julgamento no STF que chancelou esse mecanismo de inclusão na sociedade". O ministro afirmou que não está acompanhando no Legislativo a proposição que prevê cotas para negros no serviço público.
Embora não contenha afirmação alguma sobre ser ou não a favor de cotas no serviço público, eu chutaria que ele não se opõe, dado o que ele disse sobre o processo de cotas em geral.